Belém vive um momento raro. O calendário cultural e científico da capital paraense está lotado com eventos que misturam saberes ancestrais, diplomacia internacional e celebração histórica. No centro disso tudo, o Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) se consolida não apenas como guardião da biodiversidade amazônica, mas como um palco vivo de debates urgentes sobre como habitamos a Terra.
A programação vai além das paredes do museu. Ela abrange desde seminários acadêmicos no Campus de Pesquisa até intervenções artísticas no Parque Zoobotânico, conectando pesquisadores, comunidades tradicionais e o público geral em uma conversa necessária sobre o futuro da região.
O Dia da Terra na Amazônia: Saberes e Resistência
A primeira grande marca dessa nova fase acontece em 22 de abril, coincidindo com o Dia da Terra. O evento, batizado de "Habitar a Terra: saberes, literatura e resistência na Amazônia", não é apenas mais uma palestra acadêmica. É um convite para repensar nossa relação com o território.
Realizado das 14h às 17h no Campus de Pesquisa, localizado na Avenida Perimetral, bairro Terra Firme, o seminário abre suas portas para estudantes, educadores e curiosos. A proposta é ousada: colocar lado a lado representantes do círculo acadêmico e lideranças de territórios indígenas e quilombolas.
O objetivo? Dialogar sobre modos de viver e produzir cultura a partir das águas, dos espaços urbanos e das vivências periféricas. Como bem resume a curadoria, trata-se de refletir sobre o que significa habitar a Terra através de perspectivas sensíveis que emergem diretamente da realidade amazônica.
Uma Mesa Rica em Diversidade
A programação técnica é impecável. Às 14h20, as falas inspiradoras começam com o Prof. Domingos Conceição, que aborda os "Saberes quilombolas, racismo ambiental e literatura como resistência", baseando-se em sua própria obra publicada. Logo depois, Porakê Munduruku e Poliana Lisboa apresentam o filme "Quem quer?", explorando cosmovisões indígenas, território e arte.
Não param por aí. A Profa. Me. Camila Quadros discute a "Educação amazônica e experiências periféricas" através do conceito de "ponto de memória", enquanto o Prof. Me. Luiz Renan traz à tona as práticas socioambientais na educação local. O encerramento técnico fica por conta do Prof. Dr. Felipe Kevin, com sua análise sobre a "Literatura das águas e sentidos de habitar a Amazônia".
Às 16h10, a formalidade dá lugar ao diálogo aberto. Mediada pela Profa. Dra. Cristina Senna, uma roda de conversa permite que o público interaja diretamente com os temas orientadores, transformando o auditório em um espaço de troca genuína de ideias.
Conexões Amazônicas: Brasil e França Colaboram
Se abril foca na interiorização dos saberes locais, agosto olha para fora. Em 28 de agosto de 2025, o MPEG sedia o "Seminário Conexões Amazônicas: Pesquisas Colaborativas entre Brasil e França". O evento faz parte do "Ano França-Brasil 2025" e celebra décadas de cooperação científica bilateral.
No Auditório Paulo Cavalcante, especialistas de ambos os países apresentarão um panorama histórico e contemporâneo das pesquisas realizadas na região. O foco principal? A construção conjunta de conhecimentos sobre a sociobiodiversidade amazônica. São conexões que vão muito além da política; são pontes construídas com dados, respeito mútuo e objetivos comuns de preservação.
410 Anos de Belém e o Legado do Museu
Em maio, a cidade respira história. A partir das 9h de segunda-feira, dia 12, começa a celebração dos 410 anos de Belém. O tema escolhido pelo Goeldi é perfeito: "Belém e o Parque do Museu Goeldi: influências mútuas, patrimônio compartilhado".
A agenda inclui mesa-redonda (das 10h às 12h no Centro de Exposições Eduardo Galvão), exposições temporárias e trilhas educativas no Parque Zoobotânico. É uma oportunidade única para entender como a cidade e o parque evoluíram juntos, moldando a identidade visual e cultural de Belém ao longo de séculos.
Atualmente, quatro exposições marcam a visita ao complexo:
- Diversidades Amazônicas e Brasil: Terra Indígena (no Centro de Exposições Eduardo Galvão);
- Ahetxiê: Um Tesouro da Costa Amazônica (no Aquário Jacques Huber);
- Um Rio Não Existe Sozinho (intervenções distribuídas pelo parque).
O Futuro nas Vistas: COP30 e Tecnologia Social
Mas o olhar do MPEG já está voltado para novembro. Durante a COP30Belém, que ocorre entre 10 e 21 de novembro, o ecossistema cultural da cidade ganha novo protagonismo.
O Museu das Amazônias, instituição correlata, transformará seu espaço em um ponto de encontro global. Especialistas, artistas e comunidades tradicionais debaterão o futuro das Amazônias diante da crise climática. Na abertura oficial, dia 10, debates bilíngues reunirão instituições como o MIT (EUA) e a UFPA para discutir desafios das periferias urbanas amazônicas.
Além disso, vale destacar o trabalho silencioso, porém vital, do Observatório de Tecnologia Social do Goeldi. Desde 1997, a iniciativa transforma curiosidade em aprendizado real, envolvendo crianças em pesquisas inspiradas no acervo do museu. Parcerias com linguistas e comunidades indígenas resultam em metodologias reaplicáveis e produtos digitais que fortalecem a autonomia dessas populações.
Perguntas Frequentes
O seminário do Dia da Terra é gratuito?
Sim, o evento "Habitar a Terra" é aberto a todos os públicos, incluindo estudantes, pesquisadores e interessados. Não há cobrança de entrada, pois o objetivo é democratizar o acesso aos debates sobre questões socioambientais e culturais da Amazônia.
Onde exatamente fica o Campus de Pesquisa do Museu Goeldi?
O Campus de Pesquisa está situado na Avenida Perimetral, no bairro Terra Firme, em Belém-PA. É uma área extensa que abriga laboratórios, auditórios e partes significativas do Parque Zoobotânico, sendo facilmente acessível para quem deseja participar dos seminários.
Como posso acompanhar os eventos da COP30 relacionados ao museu?
A programação especial durante a COP30 (10 a 21 de novembro) será divulgada com antecedência pelo Museu das Amazônias e pelo próprio MPEG. Fique atento aos canais oficiais de comunicação das instituições, pois haverá mesas de debate, oficinas e lançamentos de documentários.
Quais exposições estão abertas atualmente no complexo do Goeldi?
Atualmente, você pode visitar "Diversidades Amazônicas" e "Brasil: Terra Indígena" no Centro de Exposições Eduardo Galvão; "Ahetxiê: Um Tesouro da Costa Amazônica" no Aquário Jacques Huber; e as intervenções de "Um Rio Não Existe Sozinho" distribuídas pelo parque.
O que é o Observatório de Tecnologia Social?
É uma iniciativa do MPEG que existe desde 1997. Ela envolve crianças e jovens em pesquisas reais baseadas no acervo do museu, promovendo aprendizado prático. Além disso, desenvolve parcerias com comunidades indígenas para criar metodologias e produtos digitais úteis para essas populações.